Obrigação, está aí uma palavra pesada. De acordo com o Aurélio, o "ato de estar obrigado a". Já fico cansada só de pensar. Acordar cedo, comer direito, ser uma aluna compenetrada, funcionária dedicada, boa filha, uma irmã exemplar, uma mulher linda, de bem com a vida o tempo todo, excelente dona de casa e cidadã exemplo. É possível existir alguem assim? Eu me perco tentando, e me encontro, ao final de tudo isso, frágil, desesperada, despedaça, e por incrível que pareça, não atendendo aos requisitos impostos. Hoje me sinto levada pela corrente, arrastada. Parem o mundo! Eu quero descer! Parar, respirar, aproveitar, relaxar. Rainer Marie Rilke, uma ótima poeta dizia:
Eu sou a pausa entre duas notas,
que de certa forma estão sempre em dissonância,
pois a nota da Morte quer prevalecer -
mas no intervalo escuro, reconciliadas,
lá ficam elas tremendo.
E a canção continua, linda.
Ou seja, sem a pausa, não haveria música, assim como para nós, a pausa é necessária para que a vida adquira significado e valor. Parar é reaver o passado. Trazer para dentro o que foi deixado para trás, reunir o importante, e assim avaliar o que é certo e melhor pra você. Então PARE. Respire, olhe aquela flor perdida no meio do caminho, aquela mulher grávida acariciando a barriga, aquele casal de idosos de mãos dadas, aquele pássaro que pousou perto de você, ouça sua música preferida, assista aquele filme pela milésima vez e chore litros uma outra vez. Pare, e se eu estiver errada, e isso não te der um pouco de calma ao coração, que Deus abençoe nossas almas, por que vamos precisar.
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